O Carnaval na sala imersiva torna-se uma experiência para viver com o corpo: confetes que se deslocam debaixo dos pés, máscaras que mudam de expressão, carros alegóricos que desfilam nas paredes. Aqui encontra oito atividades prontas a adaptar para a educação pré-escolar e o 1.º ciclo, com objetivos, duração e variantes inclusivas.
Em 2027, a terça-feira de Carnaval calha a 9 de fevereiro; nas zonas de rito ambrosiano, a festa prolonga-se até ao sábado seguinte. As atividades funcionam, porém, durante todo o período e podem ser repetidas noutros momentos do ano.
Porquê celebrar o Carnaval na sala imersiva?
O Carnaval é uma festa feita de disfarces, cores, música e movimento. São os mesmos ingredientes com que trabalha uma sala imersiva.
As Indicazioni nazionali per il curricolo italianas dizem-no claramente: as crianças «brincam com o seu corpo, comunicam, exprimem-se com a mímica, disfarçam-se, põem-se à prova». O campo de experiência «O corpo e o movimento» lembra também que mover-se é o primeiro fator de aprendizagem.
A sala imersiva acrescenta uma vantagem: tudo pode ser modulado. Volume, luz, velocidade das animações e número de estímulos ajustam-se em função do grupo. Assim, a festa continua agradável também para quem tem dificuldade com o ruído e a confusão, e ninguém fica a assistir de fora.
Como preparar a sala para o Carnaval?
Antes de começar, três cuidados.
- Confetes digitais, não verdadeiros. Os confetes de papel no chão tornam a superfície escorregadia e são pequenos objetos a manter longe dos mais pequenos. Os projetados não têm estes problemas.
- Nada de luzes intermitentes rápidas. Segundo a Epilepsy Society, as luzes que piscam entre 3 e 30 vezes por segundo podem causar problemas às pessoas com epilepsia fotossensível. Mais vale usar animações fluidas e mudanças de cor lentas.
- Máscaras facultativas. Algumas crianças não gostam de tapar o rosto ou de tocar em materiais novos. Preveja sempre uma alternativa: um chapéu, uma capa, uma cor escolhida na parede.
As 8 atividades de Carnaval
Cada atividade indica objetivo, o que se projeta, sons, materiais e duração. As durações são indicativas e devem ser adaptadas ao grupo.
1. A chuva de confetes
- Objetivo: movimento livre, reconhecimento das cores.
- O que se projeta: confetes que caem no chão e se deslocam à passagem das crianças.
- Sons: uma música alegre em volume moderado.
- Materiais: nenhum.
- Duração: 10 minutos.
- Variante: a educadora diz uma cor e as crianças procuram os confetes dessa cor.
2. As máscaras das emoções
- Objetivo: reconhecer e nomear as emoções.
- O que se projeta: uma grande máscara na parede que muda de expressão: alegre, triste, surpreendida, zangada.
- Sons: um som curto diferente para cada emoção.
- Materiais: cartões com pictogramas das emoções.
- Duração: 10-15 minutos.
- Variante: as crianças imitam a expressão e depois são elas que a escolhem para os outros.
3. Adivinha a máscara
- Objetivo: memória, vocabulário, conhecimento das tradições.
- O que se projeta: uma máscara tradicional italiana que aparece aos bocadinhos, como Arlecchino, Pulcinella ou Colombina.
- Sons: uma pista sonora ou uma lengalenga.
- Materiais: imagens impressas das máscaras.
- Duração: 15 minutos.
- Variante para o 1.º ciclo: ligar cada máscara à sua cidade num mapa projetado.
4. O fato de Arlecchino
- Objetivo: cores, formas geométricas, equilíbrio.
- O que se projeta: um chão com losangos coloridos.
- Sons: um som quando se salta para o losango certo.
- Materiais: nenhum.
- Duração: 10 minutos.
- Variante: no 1.º ciclo, contar os losangos ou construir sequências de cores.
5. As serpentinas musicais
- Objetivo: ritmo, coordenação, escuta.
- O que se projeta: serpentinas que se desenham na parede seguindo o movimento dos braços.
- Sons: músicas lentas e rápidas alternadas.
- Materiais: fitas de tecido para segurar na mão, facultativas.
- Duração: 10 minutos.
- Variante: quando a música para, param todos.
6. O desfile dos carros alegóricos
- Objetivo: respeito pela vez, trabalho de grupo.
- O que se projeta: uma rua no chão e carros alegóricos coloridos nas paredes.
- Sons: uma banda que se aproxima e se afasta.
- Materiais: instrumentos de percussão simples.
- Duração: 15 minutos.
- Variante: à vez, uma criança guia o cortejo e as outras seguem-na.
7. Confetes que contam
- Objetivo: números e quantidades com o corpo, para o 1.º ciclo.
- O que se projeta: grupos de confetes para recolher em círculos no chão.
- Sons: um som de confirmação a cada resposta.
- Materiais: nenhum.
- Duração: 15 minutos.
- Variante: adições e subtrações, com as crianças a deslocarem-se entre os círculos.
8. O baile de máscaras tranquilo
- Objetivo: relaxamento, encerramento da experiência.
- O que se projeta: uma praça ao fim da tarde com luzes suaves que se apagam devagar.
- Sons: música lenta, volume baixo.
- Materiais: almofadas ou tapetes.
- Duração: 5-10 minutos.
- Variante: despedimo-nos de cada máscara antes de sair.
Como tornar as atividades inclusivas?
Uma festa resulta quando cada pessoa encontra a sua forma de participar. O Desenho Universal para a Aprendizagem sugere oferecer vários caminhos para se envolver, compreender e exprimir: no Carnaval, isso significa várias formas de se mover, comunicar e escolher.
- Movimento. Uma criança em cadeira de rodas pode participar em «A chuva de confetes» se a projeção responder também aos movimentos dos braços ou da cadeira.
- Comunicação. Os pictogramas ajudam quem usa comunicação aumentativa a escolher emoções, cores e máscaras.
- Sensibilidade. O volume e a luminosidade baixam-se para quem é sensível ao ruído. Um canto tranquilo continua sempre disponível.
- Previsibilidade. Explicar antes a sequência das atividades, talvez com uma pequena agenda visual, reduz a ansiedade.
Para grupos de crianças muito pequenas, na creche, escolha uma ou duas atividades e encurte os tempos. Encontra indicações no guia da sala imersiva na creche.
O que diz a investigação sobre a aprendizagem com o corpo?
A ideia de que o movimento ajuda a aprender não é apenas intuitiva. O estudo Embodied Learning in Immersive Smart Spaces avalia, com um desenho controlado, um espaço imersivo em que 48 crianças de 6-8 anos usam o corpo para interagir com conteúdos nas paredes e no chão. O grupo de investigação SENSEi destaca o seu potencial educativo face aos métodos tradicionais.
O projeto Magika mostra, por sua vez, como combinar mundos projetados e objetos físicos, com uma interface que permite ao educador ajustar a intensidade e a progressão dos estímulos. É exatamente o que é necessário numa festa ruidosa como o Carnaval. São duas etapas de um percurso nascido no Politecnico di Milano, que conta hoje mais de 40 publicações científicas.
O que muda para as crianças e os professores?
Nos jardins de infância com que trabalhamos, as festas tornam-se ocasiões de aprendizagem partilhada. Com a Cooperativa ORSA, um kit SENSEi móvel leva experiências imersivas a seis jardins de infância municipais de Milão: as escolas escolhem temas e fundos ligados à sua planificação, e a mesma atividade acolhe desde um pequeno grupo até uma sala inteira.
No ICS IV Novembre de Cornaredo, as educadoras do pré-escolar usam a sala mágica como parte da sua prática pedagógica, com a experiência controlada a partir de um tablet. Para as crianças significa mover-se, escolher e brincar em conjunto; para as educadoras, ter atividades prontas a adaptar a cada festa.
Como criar as atividades de Carnaval com o Eureka?
Com o Eureka, a plataforma SENSEi para criar atividades, pode construir as suas cenas de Carnaval a partir de uma ideia: escolhe o fundo, os sons, as regras do jogo e o nível de dificuldade. A inteligência artificial ajuda a passar da ideia à atividade, e o educador mantém sempre o controlo.
As atividades partilham-se com os colegas e reutilizam-se no ano seguinte. Para outras estações, veja as ideias para o inverno e a primavera, ou os 30 exemplos de atividades multissensoriais. Para o pré-escolar, encontra mais informações na página SENSEi para a educação pré-escolar.
Perguntas frequentes
Quanto tempo deve durar uma sessão de Carnaval?
Depende da idade. No pré-escolar bastam duas ou três atividades, num total de 20-30 minutos. No 1.º ciclo pode chegar-se a uma aula inteira, alternando movimento e pausas.
As crianças têm de estar mascaradas?
Não. O disfarce é facultativo. Quem não gosta da máscara pode escolher um acessório ou uma cor para «vestir» na parede.
As luzes coloridas são seguras para todos?
Devem evitar-se luzes intermitentes rápidas e estroboscópicas. Mudanças de cor lentas e animações fluidas são a escolha mais prudente.
Podem usar-se confetes verdadeiros?
Na sala, é melhor não: tornam o chão escorregadio e são pequenos objetos. Os confetes projetados oferecem o mesmo efeito sem riscos.
As atividades funcionam também com alunos com deficiência?
Sim, se forem adaptadas. Pictogramas, volume regulável, resposta aos movimentos dos braços e um canto tranquilo tornam as atividades acessíveis.
Quer criar o seu Carnaval imersivo? Descubra o Eureka e conceba as atividades para a sua turma.
Fontes
- Indicazioni nazionali per il curricolo della scuola dell’infanzia e del primo ciclo d’istruzione (2012), Ministero dell’Istruzione.
- Epilepsy Society, Minimising risk from flashing lights.
- Gelsomini, Leonardi, Garzotto, Embodied Learning in Immersive Smart Spaces, CHI 2020.
- Gelsomini et al., Magika, a Multisensory Environment for Play, Education and Inclusion, CHI EA 2019.