2018

O museu acessível: contar a cultura a todos

Il museo accessibile: raccontare la cultura a tutti

Um museu acessível não é apenas um museu sem barreiras arquitetónicas. É um lugar em que cada visitante sabe o que o espera e pode desfrutar das obras. Duas investigações do grupo de onde nasce o SENSEi trabalham sobre isto, com histórias sociais imersivas e visitas virtuais a 360°.

Hoje essas ideias vivem no SENSEi ART, a linha para museus e exposições: a cultura contada com todos os sentidos, em conjunto.

A pergunta de investigação: como se prepara uma visita?

Para uma pessoa com uma perturbação do neurodesenvolvimento, em particular no espetro do autismo, um lugar novo pode gerar ansiedade. Salas desconhecidas, regras implícitas, ruídos e multidões tornam difícil a concentração nas obras.

As histórias sociais são um método muito usado nestes casos: contos curtos, com imagens e texto, que preparam para uma situação do quotidiano: perceber o que vai acontecer, mover-se com mais autonomia, saber como se comportar. Visitar um museu é precisamente uma destas situações. A pergunta é: o que muda se a história se tornar uma experiência para viver?

O estudo em resumo

A primeira investigação une a realidade virtual imersiva e o método das histórias sociais, para ajudar as pessoas com perturbações do neurodesenvolvimento a desfrutar das obras artísticas e culturais. Deste encontro nasce a Wearable Immersive Social Story (WISS), um conceito desenvolvido com especialistas em perturbações do neurodesenvolvimento. Na história, desloca-se apontando com os movimentos da cabeça.

A segunda cria o XOOM, uma ferramenta que permite a quem não é especialista em informática construir visitas virtuais interativas a partir de vídeos a 360°. A cena explora-se movendo a cabeça, mas pode também ser mostrada num ecrã ou numa projeção, para que outras pessoas participem e o adulto conduza. Os dados da visita recolhem-se automaticamente, por exemplo sob a forma de mapas de calor.

Entre os campos de aplicação indicados estão o património cultural, o turismo, a educação, a terapia e a reabilitação. Com o XOOM, o grupo realiza também um estudo de caso em contexto terapêutico. As publicações não apresentam resultados quantitativos nem o número de participantes.

O que se conclui?

O contributo é sobretudo concetual e de conceção, com duas ideias fortes:

  • uma história social não muda apenas de suporte: ao mudar o meio e a interação, muda também a forma como a pessoa a vive;
  • para criar estes conteúdos não é preciso um programador, são precisas ferramentas ao alcance de educadores, terapeutas e profissionais de museus.

Porque é importante hoje

Com o SENSEi ART, a experiência passa do visor para a sala. As paredes e o chão animam-se com imagens, sons, luzes e aromas, e a visita faz-se em conjunto, sem vestir nada. Uma ideia já presente no XOOM, em que a cena se projeta para que outras pessoas participem.

Para um museu, isto abre possibilidades concretas:

  • uma sala de preparação em que se antecipa a visita, com as salas e as regras contadas sob a forma de história;
  • experiências multissensoriais para quem tem dificuldade com textos longos;
  • atividades criadas pelo pessoal do museu com o Eureka, incluindo conteúdos do Google Arts & Culture.

O fio condutor é o da investigação: reduzir a incerteza antes da visita. Uma sala que conta antecipadamente o que vai acontecer foi pensada para quem vive os lugares novos com ansiedade, mas torna a visita mais serena também para escolas e famílias. O mesmo espírito orienta hoje a colaboração contada em L’abilità, Museo per tutti e INCLUDE-ID.

As fichas Improving Museum Accessibility e XOOM estão na secção Investigação, ao lado dos outros estudos do grupo sobre as histórias sociais imersivas. Para se orientar entre as soluções, leia Sala imersiva, sala sensorial, chão interativo: as diferenças.

Perguntas frequentes

O que torna um museu acessível às pessoas com autismo?

Reduzir a incerteza: saber antes o que se vai ver e o que vai acontecer. As histórias sociais são um instrumento muito difundido para isso.

É preciso saber programar para criar conteúdos imersivos?

Não. O XOOM foi pensado para quem não é especialista em informática. Hoje, no SENSEi, as atividades criam-se com o Eureka.

O SENSEi usa visores nos museus?

Não. O SENSEi ART trabalha à escala de uma sala, com imagens e estímulos multissensoriais partilhados, sem nada para vestir.

Quanto custa um ambiente como este?

Depende da configuração: espaço, experiências, formação e serviços. Contacte-nos para uma avaliação.

Trabalha numa escola, num centro ou num museu e quer um ambiente como este? Fale-nos do seu projeto: partimos das necessidades das pessoas que o vão utilizar.

Fontes

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