Uma sala multissensorial para idosos e pessoas com Alzheimer é um espaço com luzes, sons, imagens, aromas e objetos para tocar, pensado para oferecer momentos de calma, prazer e relação. Os estudos relatam muitas vezes efeitos positivos no humor e no comportamento, mas as provas de eficácia ainda são limitadas: deve ser usada como parte de um projeto de cuidados, não como solução isolada.
Este guia explica o que diz a investigação, que elementos são úteis, o que evitar, algumas atividades de exemplo e como envolver profissionais e familiares.
O que é uma sala multissensorial para idosos?
É um ambiente controlado em que os estímulos sensoriais são escolhidos e doseados. A tradição mais conhecida é a da sala Snoezelen®, nascida nos Países Baixos nos anos setenta: luz suave, estímulos visuais delicados, música tranquila, assentos confortáveis. Nos lares de idosos e nos centros de dia, estes espaços são usados para o bem-estar, para gerir momentos de agitação e para estimular memórias e relação.
Hoje existem também ambientes interativos, em que as imagens e as luzes reagem aos movimentos e o profissional pode mudar de cena e de intensidade em tempo real. Saiba mais sobre as origens em Sala Snoezelen: o que é, de onde nasce, o que diz a investigação.
O que diz a investigação sobre a demência?
As evidências devem ser lidas com atenção. A revisão Cochrane dedicada à estimulação multissensorial na demência, na sua atualização, conclui que não há provas de eficácia: os dois estudos acrescentados não mostram efeitos significativos no comportamento, no humor, na cognição e na comunicação. Os autores pedem investigação mais sólida.
Uma revisão sistemática mais recente reúne 62 estudos sobre pessoas com deficiência intelectual ou demência, dos quais 32 sobre a demência. Os efeitos relatados com mais frequência dizem respeito à saúde mental, como a redução dos comportamentos-problema e a melhoria do humor. Os autores assinalam, porém, que os pormenores sobre a forma como a sala é usada faltam muitas vezes, o que impede de perceber que modalidades funcionam melhor.
Em síntese: a sala multissensorial pode oferecer momentos de bem-estar, mas não deve ser apresentada como tratamento. Conta muito a forma como é usada: quem acompanha, durante quanto tempo, com que estímulos e com que objetivos. Para um quadro mais amplo, leia Estimulação multissensorial na demência: o que diz a investigação.
Para que pode servir na prática?
- Calma: um lugar onde baixar estímulos e ruídos nos momentos de agitação.
- Prazer: experiências agradáveis sem exigências de desempenho.
- Relação: um tempo dedicado entre profissional, pessoa e familiares.
- Memórias: paisagens, músicas e objetos ligados à história de vida.
- Movimento: pequenos gestos, levantar-se, caminhar, tocar.
Que elementos são úteis?
| Sentido | Elementos | Cuidados |
|---|---|---|
| Visão | luz quente regulável, paisagens lentas na parede, pequenos pontos de luz | evitar luzes intermitentes, contrastes fortes, sombras que possam assustar |
| Audição | música da época da pessoa, sons naturais | volume baixo, nada de ruídos súbitos |
| Tato | tecidos, objetos de uso diário, mantas macias | materiais laváveis e seguros |
| Olfato | aromas familiares (pão, alfazema, café) | poucos aromas, um de cada vez, atenção às sensibilidades |
| Movimento | poltronas estáveis, espaço para caminhar | chão livre, apoios seguros |
Um cuidado específico diz respeito às projeções no chão: algumas pessoas com demência podem percecionar manchas ou figuras no chão como obstáculos ou buracos. Convém preferir as paredes e introduzir o chão com cautela, observando as reações. Uma lista completa de equipamentos está em O que colocar numa sala multissensorial, com um aprofundamento sobre fibras óticas sensoriais.
Seis atividades de exemplo
1. O mar de antigamente
Uma praia projetada, o som das ondas, um pouco de areia numa taça e conchas para tocar. O profissional convida a contar: onde ia à praia?
2. O jardim das estações
Um jardim que muda com as estações, acompanhado de flores verdadeiras ou folhas secas. Ajuda a orientação no tempo.
3. A música da juventude
Canções escolhidas com os familiares, com imagens da época na parede. Pode marcar-se o ritmo, cantarolar, dançar sentado.
4. O mercado
Uma praça de mercado projetada, com aromas e objetos: fruta, tecidos, uma balança. Estimula gestos familiares e conversa.
5. Luz do entardecer
Ao fim da tarde, quando algumas pessoas ficam mais inquietas, uma luz quente que baixa lentamente e uma música tranquila podem ajudar a criar um momento de sossego.
6. As mãos do ofício
Objetos ligados ao trabalho que a pessoa fazia (utensílios de costura, de jardinagem, de cozinha) e imagens relacionadas. Valoriza competências e identidade.
Interativa ou passiva?
Para muitas pessoas idosas, a sala deve manter-se tranquila e previsível. Alguma interatividade pode, porém, dar uma sensação de controlo: levantar uma mão e ver uma árvore florir, tocar num objeto e ouvir uma música. Num estudo exploratório num centro de dia, o grupo de investigação de onde nasce o SENSEi compara interfaces que unem objetos físicos e conteúdos digitais com abordagens apenas digitais ou em papel, com 17 adultos com deficiência intelectual e 8 especialistas: os participantes apreciam a interação com objetos físicos e os especialistas mostram-se favoráveis a adotá-la. São resultados a verificar com pessoas idosas, mas indicam uma direção. Contamo-lo em Objetos físicos e digitais para adultos com deficiência intelectual; é uma das mais de 40 publicações científicas do percurso de investigação SENSEi. Saiba mais em Sala interativa ou passiva.
Como usá-la bem?
- Partir da pessoa: história de vida, gostos, medos, hábitos.
- Sessões curtas: 15-30 minutos, com um profissional sempre presente.
- Liberdade de sair: ninguém deve ficar se não quiser.
- Observar: expressão do rosto, postura, palavras, sinais de desconforto.
- Registar: o que funciona e o que não funciona, para adaptar as sessões seguintes.
- Envolver os familiares: podem sugerir músicas e imagens e participar nas sessões.
Com o SENSEi, o profissional controla o ambiente a partir de um tablet, ajusta a intensidade em tempo real e pode documentar as sessões. Descubra o SENSEi para terapia e bem-estar.
O que muda para residentes, profissionais e familiares?
Para o residente, a sala é um tempo seu, sem exigências de desempenho, em que reconhece uma paisagem ou uma canção. Para os profissionais, é mais um instrumento para os momentos difíceis do dia e para conhecer melhor a pessoa. Para os familiares, é um lugar onde se reencontrar à volta de uma memória.
Na Fondazione Sacra Famiglia de Inzago, o SENSEi torna-se um carrinho móvel, L’Aura, que leva a experiência aos quartos de adultos e idosos com deficiência, muitos em cadeira de rodas. As atividades são revistas uma a uma com os profissionais: menos elementos de cada vez, histórias mais adultas, percursos acessíveis, viagens imersivas e momentos de relaxamento.
Perguntas frequentes
A sala multissensorial cura o Alzheimer?
Não. Pode oferecer momentos de bem-estar e relação, mas as provas de eficácia são limitadas e não substitui o acompanhamento clínico.
Quanto tempo deve durar uma sessão?
Normalmente entre 15 e 30 minutos, adaptando a duração à pessoa e ao seu dia.
É necessário pessoal formado?
Sim. Os profissionais devem conhecer a pessoa, saber ler os sinais de desconforto e ajustar os estímulos.
Pode ser instalada num lar de idosos sem obras?
Muitas vezes sim: o SENSEi usa as paredes existentes, sem obras de construção, e pode também tornar-se móvel. O espaço deve, ainda assim, ser avaliado quanto à luz, ao ruído e à segurança.
Quanto custa?
Depende da configuração e do espaço. Contacte-nos para uma avaliação.
Quer conceber um espaço para a sua instituição?
Ajudamo-lo a avaliar o espaço, os residentes e os objetivos. Marque uma demonstração.
Fontes
- Chung, Lai, Snoezelen for dementia, Cochrane Database of Systematic Reviews
- Testerink, ten Brug, Douma, van der Putten (2023), Snoezelen in people with intellectual disability or dementia: A systematic review, International Journal of Nursing Studies Advances
- Gelsomini, Spitale, Garzotto (2021), Phygital interfaces for people with intellectual disability: an exploratory study at a social care center, Multimedia Tools and Applications
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