Nada para vestir, nada para segurar: apenas o corpo. Duas investigações concebem e avaliam jogos por gestos sem contacto para crianças autistas, com resultados que confirmam o seu potencial.
Estão entre os primeiros trabalhos do grupo de investigação de onde nasce a SENSEi. E explicam porque, ainda hoje, a sala mágica responde ao movimento sem sensores para vestir.
Qual é a pergunta de investigação?
A interação sem contacto baseada no movimento (motion-based touchless interaction) permite brincar com um conteúdo digital sem rato, teclado ou ecrã tátil. O sistema reconhece os movimentos do corpo e o jogo responde.
Como observa o grupo no artigo apresentado na conferência ACM IDC, os estudos sobre estas aplicações para crianças autistas ainda são poucos. Faltam sobretudo indicações sobre como concebê-las e sobre que benefícios podem trazer. Daí a pergunta: como se concebe um jogo por gestos que funcione realmente para estas crianças, e para quem as acompanha?
O estudo em resumo
Pixel Balance: imitar e conhecer o próprio corpo
No primeiro trabalho, apresentado na conferência AVI, o grupo concebe o Pixel Balance, um jogo por gestos pensado para crianças com perturbação do espetro do autismo, e apresenta uma avaliação preliminar. O jogo foi concebido para promover a capacidade de imitação, a consciência do esquema corporal e as competências sociais.
Um objetivo declarado é desenvolver ferramentas que professores e terapeutas possam usar de forma autónoma, na sala de aula ou durante as atividades terapêuticas.
Orientações e três jogos num centro terapêutico
O segundo trabalho, publicado nas atas da conferência IDC, reúne um conjunto estruturado de orientações de conceção. Sintetizam a experiência adquirida com estudos empíricos e colaborações com centros terapêuticos.
Com base nelas, o grupo concebe três jogos sem contacto e avalia-os num estudo controlado num centro terapêutico com crianças com perturbação do espetro do autismo de funcionamento intermédio.
O que se conclui?
Para o grupo, os resultados confirmam o potencial dos jogos por gestos sem contacto para intervenções apoiadas pela tecnologia com estas crianças.
O trabalho sobre o Pixel Balance é uma avaliação preliminar. O estudo IDC é controlado, mas limitado a um centro. São resultados que indicam uma direção, não provas de eficácia clínica.
Porque é que brincar sem tocar pode ajudar?
Os estudos não medem estes aspetos um a um, mas algumas vantagens práticas são intuitivas:
- a criança não tem de vestir nada, um aspeto importante para quem tem uma sensibilidade tátil particular;
- o corpo inteiro torna-se a ferramenta de jogo, sem mediações para aprender;
- o adulto pode observar e orientar sem interromper a ação.
Porque é importante hoje?
A interação sem contacto continua a ser um pilar da SENSEi. Na sala mágica, as paredes e o chão respondem aos gestos e ao movimento de várias pessoas ao mesmo tempo, e o educador ou o terapeuta conduz a partir do tablet. Em relação aos primeiros jogos, a experiência é mais rica: imagens, luzes, sons, aromas e objetos táteis.
Também a ideia da autonomia de professores e terapeutas se torna central: são eles que escolhem, adaptam e criam as atividades. O Pixel Balance já a declarava como objetivo; na sala SENSEi torna-se a forma normal de trabalhar.
Para saber mais, leia a utilização das salas multissensoriais no autismo, o guia Sala sensorial e autismo na escola e a página Terapia e bem-estar.
As publicações estão na secção Investigação: Motion-based touchless interaction for ASD children: a case study e Designing and evaluating touchless playful interaction for ASD children.
Perguntas frequentes
O que é um jogo sem contacto?
É um jogo digital que se controla com os movimentos do corpo. Não são necessários rato, teclado, ecrã tátil nem dispositivos para vestir.
O que é o Pixel Balance?
É um jogo por gestos para crianças autistas pensado para promover a imitação, a consciência do esquema corporal e as competências sociais.
Estes jogos curam o autismo?
Não. O grupo de investigação fala de potencial para intervenções apoiadas pela tecnologia. São ferramentas à disposição dos profissionais, não terapias.
Quanto custa um ambiente como este?
Depende da configuração: espaço, experiências, formação e serviços. Contacte-nos para uma avaliação.
Trabalha numa escola, num centro ou num museu e quer um ambiente como este? Conte-nos o seu projeto: partimos das necessidades das pessoas que o vão utilizar.