Um chão interativo é uma projeção no solo que reage aos passos e aos movimentos das crianças; uma parede interativa faz o mesmo com os gestos e o toque. A imagem “vê” quem se move e responde com cores, sons e animações, sem nada para vestir.
Na escola, servem para aprender em movimento: contar a saltar, reconhecer letras a caminhar, explorar um ambiente natural com todo o corpo. Neste guia vemos como funcionam, como se utilizam no jardim de infância e na primária, o que diz a investigação e o que muda para crianças e professores.
Como funciona um chão interativo?
Do ponto de vista de uma criança, é muito simples: entra, caminha e o chão responde. Debaixo dos pés a água ondula, uma folha voa, um número acende-se.
Por trás há uma ideia simples. Uma imagem projetada de cima, um sistema que reconhece onde estão as crianças e como se movem, e um software que transforma esses movimentos em respostas visuais e sonoras. A tecnologia fica em cima, o chão fica livre.
O que conta, na escola, é que o professor mantém sempre o controlo: escolhe a atividade, regula a dificuldade, faz pausa. O projeto de investigação MOVES, em que trabalha o grupo de investigação SENSEi, estuda precisamente como levar estas experiências para além das salas com cablagem fixa, deixando o controlo aos professores.
E a parede interativa?
A parede interativa usa os mesmos princípios, mas a imagem é vertical. As crianças interagem com gestos dos braços, com o corpo inteiro ou tocando na superfície. É adequada a atividades de exploração, narração, escolha entre opções e jogos de grupo diante de um grande ecrã.
Ao contrário de um quadro interativo, a parede interativa não pede a uma só criança que se aproxime do quadro. Várias crianças movem-se ao mesmo tempo e o sistema reconhece-as em simultâneo. Para as diferenças entre os vários ambientes, leia sala imersiva, sala Snoezelen®, chão interativo: as diferenças.
Chão ou parede: qual escolher?
Não é uma escolha obrigatória. Muitas escolas começam com uma superfície e acrescentam a outra mais tarde.
| Aspeto | Chão interativo | Parede interativa |
|---|---|---|
| Interação principal | Passos, saltos, posição do corpo | Gestos dos braços, toque, corpo inteiro |
| Idades mais adequadas | Creche, jardim de infância, primária | Jardim de infância, primária, 2.º e 3.º ciclos e secundário |
| Pontos fortes | Movimento, orientação no espaço, jogos de percurso | Narração, escolha, conteúdos mais ricos para observar |
| Cuidados | Superfície plana e não escorregadia | Espaço livre diante da parede |
| Para quem tem mobilidade reduzida | Deve ser concebido para responder também a cadeiras de rodas e a movimentos pequenos | Muitas vezes mais acessível, também sentado |
Quando a parede e o chão trabalham em conjunto, a sala torna-se um verdadeiro ambiente imersivo. É o que descrevemos no guia sobre a sala imersiva.
Como se usa o chão interativo no jardim de infância?
No jardim de infância, o chão interativo é muitas vezes a superfície mais natural. As crianças pequenas aprendem a caminhar, a saltar, a rebolar. Alguns exemplos:
- O lago. Debaixo dos pés aparecem ondulações e peixes que fogem. Objetivos: causa e efeito, atenção.
- As cores do prado. A educadora diz uma cor e as crianças correm para as flores certas. Objetivos: cores, escuta, regras.
- O trilho dos animais. Seguir as pegadas para chegar à toca. Objetivos: orientação, coordenação.
- As folhas de outono. Pontapear as folhas e vê-las voar. Objetivos: movimento livre, linguagem («muitas», «poucas», «perto»).
Para ideias sazonais, veja as atividades para o Carnaval e para o outono.
E na escola primária?
Na primária, o chão e a parede tornam-se ferramentas didáticas para as disciplinas:
- Matemática. Uma reta numérica no chão sobre a qual se deslocar para fazer adições e subtrações.
- Língua. Letras e sílabas a alcançar para compor palavras.
- Ciências. Um ecossistema na parede para explorar com os gestos.
- Geografia e história. Mapas para percorrer a pé, cenas históricas em que se mover.
No ICS Leonardo da Vinci de Cornaredo, os docentes trabalham com mais de 27 modelos de atividades em que muda o conteúdo, mas não a forma: o mesmo jogo serve para italiano, matemática, ciências ou geografia. Encontra outras ideias no artigo sobre a sala multissensorial na escola primária.
O que diz a investigação sobre chãos e paredes interativos?
A investigação de onde nasce a SENSEi estuda estes ambientes há mais de dez anos, com crianças reais e em escolas reais, e conta com mais de 40 publicações científicas.
- Aprender com o corpo. O estudo Embodied Learning in Immersive Smart Spaces avalia com um desenho controlado um espaço em que 48 crianças dos 6 aos 8 anos usam o corpo para interagir com conteúdos nas paredes e no chão. O grupo de investigação destaca o seu potencial educativo em comparação com os métodos tradicionais.
- Que interação? O estudo Interaction Modalities and Children’s Learning in Multisensory Environments envolve 175 crianças dos 6 aos 10 anos e cinco formas de interagir: pés, mãos, cartas, varinha e voz. Os resultados mostram diferenças entre as modalidades e oferecem indicações de conceção: cada modalidade tem vantagens e limites.
- O chão que se desloca. O projeto Ahù leva jogos cooperativos e competitivos ao chão das escolas com uma solução portátil, para favorecer o envolvimento, a colaboração e a aprendizagem.
A mensagem para a escola é clara: o valor não está na projeção em si, mas na forma como a atividade é concebida e conduzida pelo professor.
Como utilizá-los em segurança?
O chão e a parede interativos convidam a mexer-se. Por isso, a segurança diz respeito sobretudo ao espaço.
- Superfície do chão plana, mate e não escorregadia.
- Meias antiderrapantes ou calçado de interior, de acordo com as regras da escola.
- Espaço livre diante da parede, para evitar choques quando as crianças correm.
- Nenhum cabo no chão: a tecnologia fica no teto.
- Grupos de dimensão adequada ao espaço, com turnos se necessário.
- Animações sem flashes rápidos: segundo a Epilepsy Society, as luzes que piscam entre 3 e 30 vezes por segundo podem causar problemas às pessoas com epilepsia fotossensível.
Para a instalação completa, leia como montar uma sala multissensorial.
Como se integram o chão e a parede num ambiente SENSEi?
Num ambiente SENSEi, o chão e a parede não são dois jogos separados. São partes de uma única sala mágica, em que também luzes, sons, aromas, bolhas e objetos físicos seguem a mesma história.
A sala reconhece gestos, movimento, toque e voz de várias pessoas ao mesmo tempo, sem nada para vestir. O professor ou o terapeuta conduz a experiência a partir do tablet e, no fim, lê relatórios que ajudam a perceber o que aconteceu. As atividades criam-se com o Eureka e podem usar conteúdos como o WordWall, o YouTube ou os pictogramas ARASAAC.
O impacto vê-se sobretudo na acessibilidade. Em Cava de’ Tirreni, na sala de La Nostra Famiglia, a parede responde ao corpo inteiro e também uma criança em cadeira de rodas brinca com as outras. São precisamente os educadores que pedem para alargar a interação ao chão, para enriquecer as atividades motoras.
Para o quadro completo, volte ao guia o que colocar numa sala multissensorial. Para as configurações, visite A sala mágica e a página SENSEi para a escola.
Na sala SENSEi
Parede interativa
Numa sala SENSEi, a parede não é um simples ecrã: está ligada ao chão, às luzes e aos dispositivos sensoriais. O mesmo cenário continua da parede para o chão e muda juntamente com os sons e as cores da sala, para que o corpo inteiro entre na experiência.
- Aquário para acariciar: os peixes aproximam-se de quem move a mão devagar e fogem dos movimentos bruscos: uma forma concreta de treinar a regulação do gesto.
- Causa e efeito: cada toque produz um som e uma cor diferentes: é a primeira atividade para quem está a descobrir que as suas ações mudam o mundo.
- Jogo da memória e correspondências: cartas gigantes para virar com a mão, com imagens escolhidas pelo professor ou pelo terapeuta.
- Letras e números para apanhar: para a escola primária, jogos de reconhecimento em que se responde tocando na resposta certa.
- Desenho com os dedos: cores e traços que ficam na parede, para apagar com um gesto amplo do braço.
- Histórias com bifurcações: a turma escolhe como continua a história tocando numa das personagens.
Chão interativo
Na sala SENSEi, o chão prolonga a cena da parede e transforma o espaço num ambiente único. É o dispositivo que mais convida ao movimento, também para quem se desloca em cadeira de rodas: os percursos atravessam-se com as rodas tal como com os pés.
- Folhas de outono: pontapeiam-se e apanham-se as folhas, depois contam-se por cor.
- O rio com as pedras: salta-se de uma pedra para a outra sem cair à água: equilíbrio, planeamento motor, turnos.
- Macaca e percursos: jogos de salto e coordenação para a motricidade global.
- Perseguir a luz: uma mancha de luz desloca-se e a criança segue-a: atenção partilhada e orientação no espaço.
- Percurso em cadeira de rodas: estradas, pontes e rios para atravessar com as rodas, pensados para os utentes com deficiência motora.
- Mapas para explorar: a turma caminha sobre o mapa e descobre lugares, rios e cidades.
Descubra todos os equipamentos no guia dos equipamentos da sala SENSEi.
Perguntas frequentes
O chão interativo funciona com muitas crianças ao mesmo tempo?
Sim, se o sistema reconhecer várias pessoas em simultâneo, como acontece na SENSEi. O número adequado depende do espaço e da atividade.
É necessário um chão especial?
Não, mas deve ser claro, plano, mate e não escorregadio. Os tapetes macios devem ficar na zona calma.
Uma criança em cadeira de rodas pode usar o chão interativo?
Pode, se as atividades forem concebidas para responder também a cadeiras de rodas e a movimentos pequenos. Muitas vezes, a parede é mais acessível.
O chão interativo e o quadro interativo são a mesma coisa?
Não. O quadro interativo é pensado para uma criança de cada vez diante do quadro. O chão e a parede interativos envolvem o corpo inteiro e várias crianças ao mesmo tempo.
Quanto custa um chão interativo?
Depende da configuração e do espaço. Contacte-nos para uma proposta à medida.
Quer ver crianças e projeções a interagir ao vivo? Marque uma demonstração de um ambiente SENSEi.
Fontes
- Cosentino, Gelsomini, Giannakos, MOVES: Going beyond hardwired multisensory environments for children, IDC 2023.
- Cosentino, Gelsomini, Sharma, Giannakos, Interaction Modalities and Children’s Learning in Multisensory Environments, IDC 2023.
- Gelsomini, Leonardi, Garzotto, Embodied Learning in Immersive Smart Spaces, CHI 2020.
- Gelsomini et al., On the Effects of a Nomadic Multisensory Solution for Children’s Playful Learning, ISS 2018.
- Epilepsy Society, Minimising risk from flashing lights.
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